Roriz vai ou não vai?

Se Roriz for eleito, completará 20 anos à frente do governo do DF.
Fato público e notório. É sabido que Joaquim Roriz fez um truque já usual pelos políticos ameaçados de perder o mandato. Em 2007, como senador pelo PMDB, renunciou para escapar de um processo por quebra de decoro parlamentar no Conselho de Ética do Senado. À época, Roriz fez críticas ao “desapreço” dos colegas, à atuação do corregedor-geral Romeu Tuma (DEM-SP) e ao “furor da imprensa”. Com a renúncia, Roriz tentou evitar que o cassassem, o que lhe deixaria inelegível até 2022
Ele teve a cara de pau de apontar que sua decisão, em 2007, foi tomada em respeito aos eleitores do Distrito Federal. Ele fora acusado de quebrar o decoro após a divulgação de conversas telefônicas que o mostraram negociando a partilha de R$ 2,2 milhões com o ex-presidente do BRB (Banco de Brasília), Tarcísio Franklin de Moura. A partilha seria feita no escritório do empresário Nenê Constantino, presidente do Conselho de Administração da Gol. As gravações foram feitas durante a operação aquarela, comandada pela Polícia Civil do Distrito Federal, que desbaratou um esquema de desvio de dinheiro do BRB.
Mas a artimanha astuta de Roriz pode ter dado com os burros n´água. O procurador-geral da República, Roberto Gurgel encaminhou hoje, dia 20 de setembro, ao Supremo Tribunal Federa parecer contrário à liberação de sua candidatura ao governo do DF pelo PSC. O ex-governador do DF teve o registro também negado pelo Tribunal Superior Eleitoral com base na Lei da Ficha Limpa e recorreu ao STF. Roriz teve o pedido de registro negado também pelo Tribunal Regional Eleitoral do DF depois de três pedidos de impugnação
“A renúncia de Joaquim Roriz ao cargo de senador da República é pública e notória e teve alvo certo: o candidato quis burlar o objetivo da norma, escapando da cassação. O que realmente pretendia era preservar sua capacidade eleitoral passiva com relação ao próximo pleito, pois, se cassado seu mandato, ficaria inelegível pelo prazo de oito anos”, afirmou o procurador-geral.
O recurso de Joaquim Roriz é o primeiro item da pauta de julgamentos do STF nesta quarta-feira. Essa será a primeira vez que o plenário do Supremo irá se pronunciar sobre os questionamentos a respeito da aplicação da Lei da Ficha Limpa.
Roriz, que já governou o Distrito Federal por 16 anos, quer governar por mais 4. A impugnação de seu mandato não deixa de ser uma vitória ao retrocesso que seu governo representou. Ele também teve uma passagem pelo cargo de ministro da Agricultura e Reforma Agrária nas duas primeiras semanas do governo Fernando Collor. Ele é um dos maiores latifundiários do centro-oeste, tendo várias terras em Goiás e DF.
Nova lei do inquilinato fica só no papel

Permanecem as mesmas dificuldades ao se alugar um imóvel
A Lei do Inquilinato, que começou a ser aplicada em janeiro desse ano, previa várias alterações visando a aumentar a oferta de imóveis, facilitar a locação e dar maior segurança jurídica aos locadores.
No entanto, na prática, ela está só no papel. A mesma dificuldade de sempre é encontrada para quem necessita alugar um imóvel.A mesma humilhação…
Estou tendo a experiência de buscar em menos de um ano apartamentos em duas capitais brasileiras: Florianópolis e Brasília. E as dificuldades são imensas. Desde o pedido de dois fiadores com casas próprias no respectivo estado até preços e exigências exorbitantes. É comum que se peça que o locador tenha como renda três a quatro vezes o valor do aluguel.
No caso do locador não dispor de fiadores, há sempre a opção, que é um verdadeiro roubo, chamada “seguro fiança”. Nesse caso, o locador tem que pagar para uma “seguradora” um preço que chega até três vezes o valor do aluguel por ano de contrato. E esse dinheiro simplesmente desaparece. NUNCA é ressarcido . É um roubo que era legalizado pela antiga lei e permanece na nova.
Não se mudou em nada as políticas da maioria das imobiliárias que tive contato nos últimos meses. Mesma burocracia, mesma pilha de documentos… Fazem uma verdadeira investigação na tua vida que pode demorar dias e dias e, muitas vezes, negam simplesmente dando explicação que “foi negado pelo nosso sistema”, sem dizer nem o porquê.
Felizmente, os juros e o financiamento da casa própria deu uma melhorada no Brasil nos últimos anos. A opção antiga de comprar uma casa própria passa, frequentemente, a ser uma opção mais viável comparada a alugar um imóvel. Afinal, as burocracias são as mesmas e o valor entre aluguel e parcela financiada andam até se aproximando. Se o interessado tiver dinheiro para bancar uma boa entrada, o projeto se facilita. É uma forma mais simples de fugir das máfias das imobiliárias que não mudaram em nada com a nova lei.
O texto completo da Nova Lei do Inquilinato (Lei 12.112) está em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2009/Lei/L12112.htm
Bola fora: futuro estádio do Corinthians escolhido para copa

Estádio corintiano na copa de 2014 é piada de mau gosto.
Soou estranho. Todo mundo se perguntou por que afinal o segundo estádio mais importante do país, o Morumbi, estava fora da Copa. Os argumentos eram pouco explicativos falando em atraso no cronograma, falta de qualidade do projeto, falta de garantias financeiras, enfim, nada de concreto que pudesse impedir o estádio são-paulino de ser sede da copa. Entretanto, agora tudo se torna mais claro: a resposta está lançada com o anúncio do novo estádio do Corinthians. Em uma manobra, para não dizer outra palavra, obscura, CBF e Governo do Estado arquitetaram esse plano visivelmente para conseguir financiamento público e privado para o, ate então, inexistente estádio corintiano .
Na noite desta sexta-feira, durante sessão solene na Câmara Municipal paulistana em homenagem aos 100 anos do Corinthians, o presidente do clube Andrés Sanches não confirmou a notícia e se disse até “surpreso”. Mas afirmou que, se o clube tiver um novo estádio, “automaticamente (ele) receberá jogos da Copa do Mundo”. E prometeu que a torcida do clube vai ficar sabendo de “uma grande notícia” durante o Show da Virada do centenário corintiano.
O estádio será construído em Itaquera, zona leste de São Paulo, onde hoje fica o centro de treinamento do Corinthians.
Sanches afirmou que o projeto inicial é que o estádio corintiano tenha capacidade de 48 mil lugares. Mas disse “estar aberto para conversar” sobre uma possível ampliação, que permitiria à arena receber a partida de abertura do Mundial. O mínimo exigido pela Fifa para o primeiro jogo da competição é 65 mil.
Resta saber o quanto de dinheiro público será despejado nesse “empreendimento”.
Abaixo a íntegra da infame nota oficial do Governo do Estado de São Paulo
Na tarde desta sexta-feira, o governador Alberto Goldman, o prefeito Gilberto Kassab e o coordenador do Comitê Organizador Paulista da Copa 2014, o secretário estadual de Economia e Planejamento Francisco Vidal Luna, estiveram com o presidente da CBF, Ricardo Teixeira.
Na reunião, o presidente da CBF foi consultado mais uma vez sobre a realização da abertura da Copa no Estádio do Morumbi, e informou que esta opção estava totalmente excluída pela FIFA e pelo Comitê Organizador Local da Copa 2014.
O presidente Ricardo Teixeira foi então informado que, apesar de todos os esforços, não foi possível viabilizar a construção de um estádio para a Copa 2014 no complexo de eventos e feiras que será construído em Pirituba.
O governador e o prefeito foram então consultados pelo presidente da CBF sobre a hipótese de a abertura da Copa 2014 ser realizada em novo estádio a ser construído pelo Sport Club Corinthians Paulista, em uma área em Itaquera. Goldman e Kassab reiteraram a disposição de proporcionar o apoio necessário para que São Paulo possa receber a abertura da Copa do Mundo.
O Governo do Estado e a Prefeitura de São Paulo reafirmaram a decisão de não aplicar recursos públicos para a construção de estádios.
ALBERTO GOLDMAN – Governador do Estado de São Paulo
GILBERTO KASSAB – Prefeito da Cidade de São Paulo
RICARDO TEIXEIRA – Presidente da Confederação Brasileira de Futebol
A americanização do peso do brasileiro
Um dado assustador foi divulgado hoje. De acordo com o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, se o ritmo atual de aumento de peso entre os brasileiros continuar, nos próximos 10 anos a obesidade poderá alcançar dois terços da população.
Segundo o ministro, devemos enfrentar, se nada for modificado, o mesmo problema por qual passam os americanos. Os dados são da Pesquisa de Orçamentos Familiares 2008/2009, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O estudo avaliou o estado nutricional de crianças, adolescentes e adultos.
De acordo com o ministro, um dado positivo da pesquisa é a redução dos índices de desnutrição infantil. Em comparação a 1975, o índice caiu de 29,3% para 7,2% entre meninos e de 26,7% para 6,3%, entre meninas.
Metade da população brasileira está com sobrepeso
De acordo com a pesquisa, quase metade da população brasileira (49%) com 20 anos ou mais está com excesso de peso, e, nos últimos seis anos, os índices de obesidade cresceram um ponto percentual por ano.
Segundo o ministro, além da alimentação ruim e da falta de informação sobre a obesidade, a violência urbana também contribui para o aumento do sobrepeso. “A violência urbana tirou o espaço público das crianças, fazendo com que a maioria delas não fizesse exercícios físicos regulares”, afirmou.
Muito mais que a violência, a falta de tempo e os lanches-rápidos devem ser os principais responsáveis. O número de estabelecimento que vendem cachorro-quente, salgados, hambúrgueres, etc. cresceu no mesmo ritmo que a quantidade de consumidores. Aliada a uma vida sedentária o resultado não podia ser diferente.
A longo prazo, problemas cardíacos, na estrutura óssea, respiratórios, entre outros devem aparecer, o que complicará ainda mais a já caótica saúde pública da maioria das cidades brasileiras. Será que não é o caso de aumentar o imposto para comidas com alta taxas de gorduras, açúcares, sódio e outras substâncias nocivas como foi feito com as bebidas e os cigarros? Talvez sentindo no bolso o brasileiro diminua um pouco o ritmo da comilança .
Crise do PSDB é confirmada em nova pesquisa

PSDB, um partido sem rumo e sem voto
A pesquisa Datafolha divulgada hoje confirma a eminente decadência do PSDB. O Instituto indica que a candidata petista Dilma Rousseff deve superar o tucano José Serra em dois estados no qual o PSDB venceu nas duas últimas eleições presidenciais: São Paulo, estado governado por ele até abril e por tucanos há 16 anos, e no Rio Grande do Sul, atualmente governado por Yeda (PSDB).
No estado de São Paulo, Dilma saiu de 34% na semana passada e agora está com 41%. O ex-governador caiu de 41% para 36%. Na capital paulista, governada por Gilberto Kassab (DEM), aliado de Serra, ela tem 41% e Serra, 35%.
No Rio Grande do Sul, a petista saiu de 35% e foi a 43%. Já Serra caiu de 43% para 39% entre os gaúchos.
A petista lidera em todas a regiões. No Sudeste ela aparece com 44%, Serra com 32%. No Sul, 43%, a 36%. No Nordeste, é onde a petista tem mais forla, com 60%, e Serra com 21%. No Norte e Centro-Oeste, 50% a 29%.
Considerando apenas os votos válidos, ou seja, descontando brancos e nulos, a pesquisa Datafolha divulgada nesta quinta afirma que Dilma alcança 55%, o que seria suficiente para elegê-la já no primeiro turno. Serra aparece com 33%.
Além da derrota eminente para presidente, a próxima eleição promete também ser a maior derrota que o PSDB já vivenciou nas esferas estaduais. Resultado: as eleições de 2010 devem representar, se não o fim, pelo menos um início de uma perda de rumo por parte dos tucanos. A falta de votos deve tirar do PSDB a força que tinha como principal voz da oposição à direita ao PT. Resta saber qual será o verdadeiro impacto dessa falta de votos no número de deputados e senadores eleitos pelo partido.
Pesquisas apontam para profunda derrota do PSDB / DEM

Yeda é um dos símbolos da decadência tucana
Ao verificar a inoperância e a corrupção do governo Yeda no Rio Grande do Sul fiquei triste, mas, ao mesmo tempo, aliviado: triste por saber que boa parte do dinheiro público dos contribuintes gaúchos tinham ido por água baixa, tanto pelo mal uso quanto por desvios para bolsos de corruptos (só no caso Detran, foram desviados cerca de R$ 40 milhões); aliviado por perceber que aquela péssima administração resultaria em um profundo enfraquecimento do tucanado gaúcho.
As novas pesquisas apontam nesse sentido, mas também trazem conclusões surpreendentes: com exceção de São Paulo e, em menor grau, Minas Gerais, o PSDB e seu co-irmão DEM estão perdendo força em praticamente todo o país. Os indicadores mostram que conservadores como Aécio Neves, em Minas, Kátia Abreu em Tocantins, , além de Cesar Maia no Rio correm sérios riscos de não se elegem. Claro, Yeda, está, segundo as pesquisas, totalmente fora da disputa que deve se centrar em Tarso (PT) e Fogaça (PMDB). E Serra vive a iminência de perder no primeiro turno.
Essa realidade eleitoral mostra a decadência de políticas como o chamado “choque de gestão”, que se preocupam mais com o controle dos gastos públicos do que com as necessidades da população. Pensar o Estado como uma empresa privada, baseada em controle de ganhos e despesas, fez com que o PSDB-DEM esquecesse a função provedora das instituições públicas. O resultado é a precarização do ensino, baixo investimento em obras de infra-estrutura e uma total inoperância na gestão das necessidades sociais. Resultado esse que acabaria, cedo ou tarde, por ser percebido na pele pelos milhões de habitantes que vivem sobre governos tucanos/democratas.
Que oposição queremos?
Em artigo na Carta Maior, Luis Nassif chama atenção para essa decadência e afirma que o governo Dilma corre o risco de ser um governo sem oposição. Acho que não é só isso que está em jogo, mas sim a redefinição de que espécie de oposição queremos. Faz sentido o que Nassif diz, mas não toca no mais importante. Uma eventual decadência do PSDB-DEM realmente fará em um primeiro momento que Dilma governo “sem inimigos”. No entanto, pode abrir espaço para o surgimento de uma nova oposição, mais produtiva e preocupada com o estado de bem estar social e não com as necessidades do mercado.
A verdade é que nenhum partido atual parece representar uma oposição “inteligente” ao projeto petista. Em um processo ainda de construção, o PSOL é um partido pequeno, com pouco voto e representatividade. Serviria, talvez, como uma alternativa de oposição à esquerda. Não sei ao certo se o papel do partido em um eventual crescimento seria de total ataque aos projetos do governo (como fazem vários de seus quadros) ou de buscas por alternativas viáveis para o país.
Em verdade, é que esse espaço está em aberto. O futuro, talvez, nos dirá se o PSDB e o DEM se reestruturarão, repensando suas posturas na condição de governantes, ou se uma nova oposição surgirá.

